segunda-feira, 19 de maio de 2014

Mães e filhos e bichos: tudo junto e misturado

Já tinha a experiência de ter gatos convivendo em casa com o meu primeiro filho.  Eram quatro: Alecrim, a mãe, e seus filhos Isolda, Negrito e Tengo-Tengo. Depois vieram alguns cachorros e o Slink, o fiel amigo do meu filho que ele batizou. O nome é uma clara influência do filme Toy Story. Era um vira-lata misturado com Dachshund, o famoso Cofap, o terror de todos os chinelos do mundo.  Depois de três anos morando com a gente foi roubado por um cidadão com a ajuda de um vizinho (pasmem!).
Muito tempo depois, o Link – nome dado em homenagem ao personagem do game Zelda - chegou por aqui. Outro vira-lata (pra mim eles são maravilhosos) com Dachshund. Foi uma surpresa e quase surtei.
Minha filha já tinha nascido e exigia muitos cuidados por causa da cardiopatia. Não tinha tempo pra mim como teria tempo pra cuidar de mais uma ‘pessoa’? Fiquei com medo de não dar conta, medo de doenças, essas coisas todas que passam pela cabeça das mães.  Acabei aceitando. Fui voto vencido. Cachorro e criança combina muito e mãe é tudo besta.  E assim se passaram nove anos.

Link, meu negão, lindão 

Decidi que a convivência entre criança e bicho seria o tema do primeiro post deste blog. Justo quando colhia depoimentos sobre essa relação que enlouquece e apaixona mães e filhos, um incidente quase nos tira o Link. Não tenho certeza se foi chutado, atropelado ou agredido, mas ele teve a coluna lesionada e corre o risco de ficar paraplégico. 
No caminho para o veterinário a minha angústia aumentava quando ouvia: - Calma, mô filho, calma. Foi ela, a mãe dele, que o encontrou machucado, me pressionou pra levar no veterinário, que cuidou e se preocupou bem mais que todos. Chorei pela dor dele, pela dor dela e de toda a família. A vida do animal me fez refletir sobre as prioridades, sobre o tempo desperdiçado com o que não tem importância de fato. 
A vida é um sopro e não nos damos conta. Ele agora está bem e vai precisar de nós pra se recuperar. Talvez fique com sequelas, talvez tenha dificuldades pra andar, mas o olhar não vai mudar, tenho certeza. Ia conversar com veterinários para dar dicas sobre esse convívio, mas considerei que todas sabemos sobre o cuidado que devemos ter ao criar animais em casa. 
Prefiro compartilhar as experiências de mães que decidiram ter mais trabalho, mais amor, mais emoção, algum aborrecimento e mais um filho, ao adotar animais.  Foi muito fácil conseguir esses depoimentos. Todas se emocionaram ao contar, ao relembrar. Vejam que lindeza.

Boa leitura e emocione-se.

P.S.: de alguns anos depois, já em 2018 - Adotei uma cadela, a Perneta, que um dia pegou o caminho da reta e não voltou mais. De vez em quando meus filhos aparecem com gatos ou choram por outros filhotes, mas depois de um tempo fiquei mais durona. Será? 

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Nego bom de caça e peixes que não nadam contra a correnteza

Ana Cristina Silveira, empresária, jornalista e mãe da Carol, do Vinícius e da Ana Beatriz, começou a contar a história com uma queixa: até hoje não se conforma com a ‘deportação’ do Nego, só porque ele gostava de mostrar sua habilidade em caçar galinhas. O marido da Ana não gostou nadinha do talento do Nego e pediu gentilmente que ele se retirasse. Poxa, Nego, você bem que poderia ter passado sem essa. Perdeu o Vinícius, o seu grande companheiro de fugas pelos arredores da chácara em que moram. 

Vinícius e Nego trocando carinhos

Mas 'nas meninas’ ninguém toca, ela garante. As meninas ou negonas, como carinhosamente são chamadas as duas rottweiler, guardam o sono da pequena Beatriz e circulam dentro de casa com tratamento cordial. “Não digo ‘passa’ com elas. Peço licença”, diz Ana. O choro das crianças ganha a solidariedade das ‘meninas’.  É só começarem a chorar dentro de casa, elas fazem coro embaixo da janela.


Beatriz dorme guardada por uma das 'meninas'

Mas o Vinicius não andou sendo muito solidário com o peixinho que ganhou. A mãe alimentava, limpava o aquário e um belo dia o peixe sumiu. Mas o culpado deixou uma pista: a marca da mão no fundo do aquário. Ao ser questionado sobre o destino do peixe, ele explicou tudo com detalhes: “Mãe, é o seguinte: eu queria ver o que ele faria lá no vaso do banheiro. Dei descarga, mas ele não voltou". A preocupação estava estampada no rosto, porque em sua linda inocência o peixe voltaria nadando tal qual os que sobem as corredeiras durante a piracema. Deve ter visto isso em algum filme. Quem o julgará por isso?

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Companheiro é companheiro

 Ana Cláudia Andrades mora com a filha Ana Clara e a cachorrinha em uma casa no interior do Mato Grosso. Ela dorme dentro de casa, mas existem dois limites mais ou menos definidos: não pode subir na cama, nem entrar no banheiro. “Procuro evitar, mas nem sempre consigo”, vai logo entregando. Clarinha é cardiopata e está há quatro meses na fila do transplante. Por causa de algumas limitações físicas, está abatida e se sente só. A cachorrinha se tornou sua grande amiga.



Ana Clara e suas amigas

A mãe conta que Clara chora de saudade quando precisa se afastar do animal. “Sinto que elas são companheiras, ficam o dia todo juntas. O cachorro em si, diferente de outra criança, não lhe cobra o que não pode fazer, ama e ama simplesmente. Se está deitada ela fica junto, se esta em pé está junto. E quando a cachorrinha adoece, ela fica muito preocupada, e quando a Clara adoece a cachorrinha fica o tempo todo cuidando. Companheiro é companheiro”, descreve.
Mesmo com o probleminha no coração, Ana Clara não é colocada em uma bolha. Tem uma vida normal. Os cuidados que a mãe tem com os animais são os básicos: vacina, vermifugação, remédios contra pulgas e carrapatos.  A dona de casa, que abandonou a profissão para cuidar da filha, acredita que o convívio de crianças e animais as deixa mais felizes, solidárias e aprendem a amar e aceitar, rir de tudo.  O trabalho? Que trabalho? Para ela, a filha ter uma alegria a mais é o que vale.

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O felino do quarto andar

Perhan foi adotado quando o filho de Gleice Resende estava com 16 anos. Ela queria um segundo filho, mas depois de analisar fatores como idade versus criança ficou com o gato. Ícaro, o filho, e Perhan, o felino do 4° andar, convivem super bem, segundo a mãe.  A carteira de saúde está sempre em dia, o que a deixa tranquila em relação a doenças, vermes, essas preocupações que podem até tirar o sono. 
Como mora em apartamento e é difícil levar um gato para ‘ir ao banheiro’ fora de casa. Ele faz suas necessidades em horários em que tem alguém em casa. Tudo é limpo na hora.  Beleza. Gatos aprendem rápido, mas quando ainda estava na alfabetização sobre onde e como fazer xixi e cocô, a mãe deu uma de Rochelle (a extremista, mas amorosa, mãe da  série Todo mundo odeia o Cris, minha musa). Chegou a esfregar a carinha do Perhan na caca dele pelo desespero de achar que não conseguiria ensiná-lo mais.
Um dia ele terminava de fazer xixi no local errado quando ela entrou no apartamento. Exausta, não teve reação. Ficou só olhando. Ele terminou de fazer, ficou olhando para ela com “carinha de gato arteiro” e ele mesmo passou a cara no xixi . “Me desmontou”, conta rindo. Essa mãe já era, disse Perhan.  Ou seja, a família se diverte. 

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Gata lavada sem medo de água fria

Carol faz a Florzinha literalmente de gato e sapato. Mas ela sabe que é por amor. É carinhosa, não arranha, não morde e sempre fica por perto, o que é um assombro em se tratando de gatos. Um exemplo do altruísmo felino foi aceitar com obediência servil o banho de gato dado pela Carol depois que a menina encontrou uma leve “xugera” no pelo dela.  Florzinha não se opôs apesar de ter ficado encharcada. 





Carol e Florzinha depois de um dia intenso

 A mãe, jornalista Jannice Dantas, conta que quando Carol está dormindo, Florzinha adora ir se aninhar bem pertinho. Uma evolução no relacionamento da família com animais, já que no início o medo de doenças era grande. Hoje ela admite que há mais mitos que verdades quando se trata do assunto e, para garantir, as vacinas estão sempre em dia, assim como banhos (a Carol é quem cuida disso, como todos sabemos) e remédios.
O cuidado e o trabalho com filhos e animais são os mesmos na opinião de Jannice. Para ela animais são companheiros, carinhosos e alegram a vida. Os filhos também, apesar das diferenças do amor dispensado a cada um deles. Com o entendimento de que quem cuida de um, cuida de dois, a família já chegou a ter sete gatos, todos vira-latas.

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O Freddie Mercury pode

Dos três cachorros criados por Anne Sosnoski, só Freddie Mercury entra em casa, no quarto, no colo dos meninos Victor e Gustavo, mas não pode subir nas camas e no sofá (a regra é clara, não é Arnaldo???). Brincadeiras pesadas entre as crianças e os cachorros também não é permitido, pelo menos perto dos olhos da mãe, que acredita que a convivência estimula a solidariedade, a igualdade, o amor, o respeito às diferenças.  
Para Anne, os animais dão trabalho como dão os filhos e o esforço em criá-los é recompensado com amor verdadeiro, sem interesse nenhum.  E a mãe encontra emoção ao ver o filho dividindo um pedaço de alimento com o cachorro. “Me emocionei. Gustavo comia um pedaço e o Freddie comia outro”, conta. Sem interesse nenhum, hein Freddie??? Çei...

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Eu quero o meu cachorro!

Essa história não é de mãe e sim de uma filha diferentona que virou mãe de cachorros abandonados. Quando era criança a mãe de Vanessa Facundes pensava que ela não era normal, só porque pedia um cachorro a toda hora. E não era mesmo. A ‘anormalidade’ da menina fez com que, aos 17 anos, criasse junto com uns amigos a primeira instituição de caráter voluntário para ajudar animais carentes em Rio Branco, a Sociedade Amor a Quatro Patas. Depois de um ano, desvinculou-se do projeto e hoje administra a Patinha Carente. 




Vanessa em ação contra a violência a animais e visitando abrigo

Desde a primeira gatinha, a Frajola, até os dias de hoje, Vanessa já teve coelho, hamster, papagaio, soltava todos os passarinhos e aos 11 anos ganhou a primeira cadela, a Bella, que morreu com sete anos de idade e ensinou a dor da perda para a estudante de Direito que tem como meta defender os direitos dos animais.
A preferência sempre foram os cachorros e a atração é mútua.  Quando chega a um lugar em que haja um deles, a aproximação é natural. Em sua rotina tem visita a abrigos, mobilização para doação e recolhimento de cães das ruas. Um trabalho que não tem fim já que muita gente rejeita os animais. Ainda. Infelizmente. 

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Um comentário:

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